Robôs no mercado Financeiro

Quando 1+1 > 2?

Dizem que os computadores irão tomar conta do mercado financeiro. Algumas vezes isso é dito numa conotação positiva, que isso vai dar mais segurança e agilidade aos mercados e ajudar a deixar a economia mais dinâmica e saudável.

Em outras ocasiões o tom é mais pessimista, chega a se disser que os computadores são burros e que vão causar um colapso no mercado financeiro mundial, algo semelhante a ficções no estilo Matrix ou o Exterminador, aquele do Schwarzenegger.

O Fato é que vinte anos atrás uma corretora necessitava de trezentas pessoas para fazer o que hoje dez pessoas fazem. Isto se deve quase totalmente a evolução da computação.

Em todas atividades financeiras hoje há uso intensivo de tecnologia, talvez mais que em qualquer outra atividade. Existem robôs em todos os lados.

E Robôs nada mais são do que máquinas ou sistemas que fazem a atividade do homem, neste sentido qualquer software é um robô, e assim os robôs já estão presentes em todas as atividades tomando o lugar das pessoas.

Mas a maioria dos robôs se limitam a atividades operacionais e repetitivas deixando a parte mais nobre das finanças o de escolher onde, quando e quanto investir na mão dos homens. E o poder das decisões econômicas ainda devem ser tomados por homens.

O mais próximo de decidir que os robôs chegam hoje é nas arbitragens. Arbitragem é a atividade de comprar mais barato e vender mais caros, ativos iguais em praças diferentes ao mesmo tempo praticamente sem risco. Ou comprando e vendendo ativos semelhantes, mas com preços distorcidos entre si, por exemplo comprar contratos de café que vencem em um prazo e vende os que vencem num outro prazo por achar que as diferenças estão muito grande e tenderão a se aproximar no futuro, aguardar a distorção ser corrigida pelo mercado e embolsar a diferença, neste caso correndo um risco maior. Nisso os robôs já tomaram conta, devem ser responsáveis por 90% do volume das operações.

São programas de computador desenhados para comparar preços buscar diferenças e executar em tempo real as operações de compras e vendas. Grandes bancos como os americanos possuem robôs muito modernos e complexos, e que geram grandes retornos por meio de milhares de pequenas e curtas operações. Existem versões mais simplificadas desses sistemas para vender no mercado.

Existem também robôs feitos para escolher o que e quando comprar ou vender de modo direcional, sem que outro ativo tenha que ser vendido ou comprado na outra ponta pra contrabalancear. Esses robôs usam análises quantitativas baseadas no passado dos preços de mercado e mais alguns ingredientes para por conta própria entrar e sair do mercado. São os algoritmos de análise técnica, mas eles costumam mapear apenas alguns padrões e usam limites curtos de perda para sair da operação caso o mercado ande contra a posição.

São cópias mais disciplinadas dos traders que operam usando gráficos de preço, os grafistas.

Mas a gestão dos grandes valores não é feita por grafistas, mas, sim por gestores com fino para negócio e enorme conhecimento econômico que baseiam sua decisão em modelos bem mais complexos e usando um número bem maior de variáveis do que apenas o preço do papel e seu volume no tempo.

Alguns usam apenas balanços de empresas, uma análise fundamentalista. Outros focam quase só nos números da economia, uma análise macro. Muitos, principalmente os maiores usam as duas abordagens.

Independente da sua abordagem de análise, são todos conservadores quanto a operações automatizadas por computador e não são grafistas.

Sou da opinião que estamos apenas no começo da vida dos robôs que operam no mercado financeiro, mas não por isso acredito que o papel do homem no processo de decisão tenha menos importância.

O próximo passo para os robôs na análise e execução de investimentos está sendo dado colocando sistemas de computador para trabalhar junto com financistas, onde ambos fazem aquilo que sabem melhor. E é nesse momento que 1+1 pode ser >2

Não existe nada melhor que um computador quando se trará de fazer cálculos rápidos e extremamente precisos. Um software rodando em um computador em bom estado, é capaz de fazer milhares de contas em menos de 1 segundo.

Quando é para executar tarefas repetitivas a exaustão a melhor pedida é apelar para o computador.
Junto com eles teremos analistas ajudando no processo de análise, buscando e catalogando dados, auxiliando na classificação e definição de preços alvo para ativos, fazendo a análise qualitativa.

Depois da escolha do que comprar e vender serão usando algoritmos de execução para deixar as carteiras nas proporções definidas pelos gestores e seus programas, e fazer ajustes e balanceamentos nos portfólios.

No Brasil esta imagem parece estar longe, pois a maior parte do dinheiro ainda é gerida na moda antiga. Fora do Brasil está tudo bem mais avançados e grandes instituições têm áreas internas de programação e os sistemas já estão em todas as fases do investimento e são integrados entre si.

O futuro das finanças é incerto, ainda mais depois de 2008 quando se descobriu a altos custos que grande parte do ferramental de análises de investimento e risco do sistema financeiro tem muito pouca utilidade.

Porém, depois desta separação, a força daquilo que é genuíno e daquilo que é pura pirotecnia matemática enganadora, com os financistas certos que sabem tanto econômica quanto possuem um ferramental quantitativo abrangente e capacidade de programação e com sistemas que ajudam a enxergar alguma ordem no caos, será possível a voltar a acreditarmos em retornos saudáveis de longo prazo, com baixa volatilidade.

Temos que fazer robôs e homens trabalharem juntos para que a soma de 1 +1 seja maior que 2.

 

One Reply to “Robôs no mercado Financeiro”

  1. Como a economia é uma ciência inexata, baseada no desejo de consumo das pessoas, o computador ainda está muito longe de “sentir” antecipadamente o que as pessoas vão desejar consumir no futuro, estabelecendo, com imprecisão, as alternativas de investimento que produzirão a maximização do lucro. É neste cenário que a atuação do ser humano torna-se insubstituível, pois essa capacidade de intuir ainda pertecem ao homem.

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